Thursday, May 11, 2006

Goethe, o Amor


Quando jovem, Goethe escrevera a Lavater, amigo e confidente, que nada o impediria de ser verdadeiro, " bom e mau como a natureza..."
A natureza, matriz geradora e unificadora de todos os conflitos, sendo essa percepção subtil algo que não abandona o criador desde as suas primeiras obras até às da maturidade, já em Weimar.
Numa carta de 1784 a Charlotte von Stein, desenha o primeiro esboço do que serão os GEHEIMNISSE, os MISTÉRIOS, poema rosacruz de tão grande simbolismo como o MAERCHEN, o CONTO DA SERPENTE VERDE.
Aí exprime o sentimento complexo da relação com a Terra-Mãe, a harmonia que é preciso interiorizar para que a visão do mundo e de si mesmo se modifique e amplie, sendo esse e só esse o objectivo da Obra.
Noutra carta, de 1786, conta à amiga que está a ler o CHYMISCHE HOCHZEIT....de Johann Valentin Andreae, escolhendo desse texto fundador dos rosacruz os versos relativos ao AMOR:

Donde nascemos?
Do amor.
Como nos perderíamos?
Sem amor.
O que nos ajuda a vencer?
O amor.
Pode encontrar-se o amor?
Pelo amor.
O que enxuga as lágrimas?
O amor.
O que deve unir-nos sempre?
O amor.

Goethe modificou o poema, fazendo dele um outro, já seu. Em Valentin Andreae a atracção do amor é a do amor UNIVERSAL, da grande cadeia do Ser, estudada por Arthur Lovejoy em THE GREAT CHAIN OF BEING (1960).

E recordo agora a exclamação com que termina o Conto de que estivemos falando noutros posts:
" Três reinam sobre a terra:a Sabedoria, a Luz e a Força."
E adiante, para exprimir o quarto elemento, sem o qual nada se perfaz ou completa:
" O amor não reina mas forma, e isso é mais."
DIE LIEBE HERRSCHT NICHT, ABER SIE BILDET, UND DAS IST MEHR.

Aqui o termo "bilden" pode ter mais significados para além deste, pode ser educar no sentido que se dá ao BILDUNGSROMAN, pode ser ainda construir, uma sociedade, uma civilização, como a que a ponte em que a serpente se transforma permitirá sem dúvida.
Mas tratar-se-á sempre da formação do espírito e da construção de um mundo melhor.Uma utopia eterna.

A fotografia é do Jardim de Goethe em Weimar, com a PEDRA DA BOA SORTE, ou da felicidade, a meio do caminho por onde gostava de passear. Note-se que a pedra é um cubo ( A Pedra Cúbica de templários e maçons ) com uma esfera ( o Círculo da Perfeição ) pousada nela.

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