Friday, April 28, 2006

A MONTANHA DOS ADEPTOS



A Montanha dos Adeptos, nesta gravura de Stephen Michelspacher (ALCHIMIA, 1654), contém todos os ingredientes elementares, Fogo, Ar, Água, Terra e todas as fases de iniciação do adepto "vendado" (ignorante), até chegar ao Templo escavado na rocha.
São estes os degraus: Calcinação / Sublimação / Dissolução / Putrefacção / Distilação / Coagulação / Tintura - um dos nomes do Elixir de Vida ,ou de Sabedoria, ou da Pedra Filosofal, que já sabemos ter muito nomes.
Sobem-se os degraus, 7, fase por fase; a Fénix, ave da transformação maravilhosa das cinzas em nova vida, múltipla e colorida como as suas penas,coroa a cúpula do Templo ornado do Sol e da Lua (o macho e fêmea, que no seu interior serão unidos).
Não é por acaso que o adepto vendado, à direita, tem do lado esquerdo um companheiro (reflexo do que ele virá a ser) perseguindo dois coelhos que correm para a toca; os coelhos são aqui figurações da fecundidade e da mutiplicação ( são 2 ), a benção que a iniciação e a Pedra concedem.
O que se multiplica é o Saber; o que se fecunda é o Espírito e a Alma, que no adepto tornado clarividente, como se diz no MUTUS LIBER, já não estão separados, estão integrados no Corpo que se sublimou e se pode redescobrir na sua totalidade física e psíquica.
Ler uma gravura alquímica é como ler um tratado. A gravura contém todos os segredos, prontos a ser descobertos pela meditação repetida e cuidada.
Muitas imagens remetem para outras, "conversam" entre si, por isso nos dizem que é preciso ler muito, estudar com aplicação, como em qualquer outra aprendizagem. Por exemplo, neste caso do adepto vendado, acompanhado de outro que é o que ele próprio virá a ser, de vista clara, somos forçados a recordar a máxima final do Mutus Liber (1617), o Livro Mudo, que narra todo um processo de iniciação alquímica, em que o trabalho é feito a dois ( o homem e a sua companheira ) :
"OCCULATUS ABIS", partes munido de olhos, ou seja clarividente, ou ainda com uma visão clara e nítida de um mundo superior, de perfeita harmonia do UM e do TODO, do micro e do macrocosmos.

Este tipo de obras influenciou gerações de adeptos Rosa-Cruz, Maçónicos e Espiritualistas como os do séc.XIX,ou ainda no séc. XX poetas como um Pessoa.

1 comment:

LARA said...

Bom texto.
Parabéns