Wednesday, April 26, 2006

O LIVRO DE BUDA,citado no Picatrix


Aqui se faz a descrição de um processo que levaria em primeiro lugar à dissolução alquímico-mágica de um homem, para a seguir, separando-lhe a cabeça do corpo, obter através dela profecias e avisos que só os sacerdotes utilizariam.
Por ser ímpia a seita que praticava tais artes, o templo em que residiam os seus adeptos foi queimado e destruído, segundo narra o autor.
O fantasiar macabro da dissolução do corpo, para preservar uma cabeça que veria os segredos do micro e de macrocosmos, perdurará nos desenhos com que nos códices medievais se ilustram os processos ou "fases" da Obra.Por um lado temos provetas e tubos de vidro em que as formas humanas surgem e são descritas ora como em dissolução, ora como em coagulação, ora muito explicitamente como em "conjunção".
A ordem dada ao adepto é : solve et coagula.
Os elementos com que se trabalha são os quatro conhecidos;os princípios são três; e por aí adiante.
Será com Jung, Marie-Louise von Franz e a restante escola Junguiana que veremos decifrar este tratados, apresentando-os na sua dimensão psicológica mais profunda.
Imagens, aparentemente cruéis como as do Picatrix,são projecções de quem busca na matéria (mineral, vegetal, animal ou humana) o que pode ser o segredo ou o mistério do universo em que estamos integrados, e de cuja evolução ou destino dependemos.
Numa fase mais antiga a interrogação é mais ingénua, e a resposta também. Malinowski em MAGIC, SCIENCE AND RELIGION explica a diferença do imaginário mágico e religioso, e a sua evolução para o conhecimento científico.
A alquimia, encarada como prática mágica, despertou sempre desconfiança e os seus tratadistas foram frequentemente perseguidos.Mas estudada como via mística, ou ainda como forma de filosofia panteísta deixou marcas profundas no imaginário ocidental.
Os alquimistas apropriam-se de formas como a do andrógino, por exemplo, para meditar sobre uma primordial perfeição e completude perdidas.
Transpõem para o reino mineral, a Pedra Filosofal, as imagens disfarçadas do corpo a que não podem aludir. Falam da Matéria espessa, negra, que é preciso "depurar" (isto no caso das vias místicas, que serão igualmente condenadas pela Igreja,como se vê na perseguição aos Cátaros).
A redenção do corpo, equivale, na alquimia, à redenção do universo, pois também ele, como matéria visível, criada por um Ente Superior, carece de redenção. Destes conceitos confusos resulta no entanto uma ideia, que é o fio condutor de todo e qualquer tratado: a esperança de se alcançar a visão do Uno e do Todo, concretizada numa forma, a que se dá o nome de Pedra Filosofal, ou de Matéria da Obra, ou de Elixir de Vida, ou de Vaso do Graal,ou de Andrógino Hermético, - tudo isto podendo ser, como em algumas descrições, pura e simplesmente a realização da vida humana na sua plenitude de corpo, espírito, e alma.

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