Sunday, June 25, 2006

RAMON LULL, Raimundo Lulio

Libro de Amigo Y Amado, trad e prólogo de Eduardo Moga, ed.Barcino, 2006.

Ramon Lull, de quem nos é dada agora esta edição bilingue, nasceu em Maiorca em 1232 e foi um dos autores mais celebrados do seu tempo. Terá escrito cerca de 250 obras em catalão, árabe e latim, como homem de muitas letras que era, além de visionario reformista e místico.
Uma das suas obras mais citada é o LLIBRE de MERAVELLES ou ARBRE DE CIENCIA, de que encontramos referencias em Portugal, ainda que nos livros proibidos e confiscados pela Inquisição.
O seu pensamento filosófico e hermético terá influenciado autores como Giordano Bruno, ele próprio vítima da Inquisição, e Leibniz, que sabemos ter sido bom conhecedor do rosacrucismo alquímico e da ciência da Kabala.
Segundo reza a lenda, Lull morreu depois de ter sido lapidado em África, possivelmente antes de 1316.

No prólogo de E. Moga podemos ler que Lull conheceu Jacques de Molay, o último Grão-Mestre dos Templários, queimado vivo em 1314, sob acusação de idolatria ( como adorador do Baphomet ).
Era grande o intercâmbio das diferentes culturas, do oriente e do ocidente, e grande o apreço dos europeus de então pelos sábios árabes que da antiga Alexandria tinham trazido boa parte dos conhecimentos mais antigos das ciências, médicas, químicas, outras, bem como da filosofia neo-platónica, gnóstica, alquímica.
Estes saberes circularam, de forma mais ou menos aberta, um pouco por todo o lado.

O Livro do Amigo e do Amado é um capítulo de outro maior, a novela intitulada LLIBRE D'EVAST e BLAQUERNA.
Encontramos nele, segundo o autor, os exemplos dos sábios sufis, místicos apreciados, que despertavam no leitor sentimentos de grande religiosidade. Estamos perante um caso de "livro dentro do livro", o que nos leva a pensar na função que desempenha, de verdadeira pedagogia moral e religiosa.
Rapidamente o Livro circulou já fora da novela, com mérito por si próprio.O seu conjunto de aforismos místicos assim o permitia, seduzindo os leitores que nele bebiam uma verdadeira filosofia do amor. Foram muitas as cópias manuscritas que se fizeram e muitas as edições, posteriormente.

Repare-se agora nesta subtil iniciação a que se vai assistir e de que veremos continuação nas BODAS QUÍMICAS de Christian Rosenkreutz (obra de Johann Valentin Andreae, fundadora do movimento Rosa-Cruz na Alemanha do século XVII ), em Mozart, na FLAUTA MÁGICA, e em Goethe, no poema a Mme.von Stein e no CONTO DA SERPENTE VERDE.

93.
En una gran fiesta reunió el amado una nutrida corte de nobles muy honrados, y les hizo grandes convites y regalos.
Llegó el amigo a la corte.
Le dijo el amado:-Quién te ha dicho que vinieras a mi corte?
Respondió el amigo:- La necessidad y el amor me han traído, para admirar tus facciones y tu porte.

94.
Preguntaron al amigo de quién era.
Respondió:- Del amor.
-De qué eres ?
-De amor.
-Quién te ha engendrado ?
-El amor.
-Donde has nacido ?
-En el amor.
-Quién te ha criado ?
-El amor.
-De qué vives ?
-Del amor.
-Como te llamas ?
-Amor.
-De dónde vienes ?
-Del amor.
-A dónde vas ?
-Al amor.
-Dónde estás ?
-En el amor.
-Tienes algo, además de amor ?
Respondió:- Si, culpas y agravios contra mi amado.
-Hay perdón en tu amado ?
Dijo el amigo que en su amado había misericordia y justicia, y que por eso moraba entre el temor y la esperanza.

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