Tuesday, June 06, 2006

Graham Vick


Louvando o mérito desta iniciativa de trazer de novo a Portugal a TETRALOGIA, embora num decurso de anos, tenho algumas objecções às escolhas do encenador:
prejudicou sem dúvida, pela enorme distância que separava a orquestra dos cantores, o equilíbrio musical do que se ouvia dos vários pontos em que o público foi colocado;
não me incomodou o tratamento kitsch, post-moderno, de algumas das figuras, embora se anulasse com isso o simbolismo de que deviam revestir-se, como entes de sombra, pulsões de uma natureza primordial, forte e apelando à sublimação;
já me incomodou mais a aplicação de uma grelha puramente política , de ocasião ( Bush não será eterno, a obra de arte sim) em vez de uma apreciação filosófica e estética como Wagner merecia ( algo que Patrice Chéreau compreendeu magistralmente );
tornou-se visível o porquê de um palco desmesuradamente alongado, obrigando a modificações caríssimas da estrutura de cena, sem outra justificação que não a de fazer caber lá o imenso foguetão com que o encenador desejou arrancar os aplausos de uma plateia sempre disponível para as propostas "diferentes".

1 comment:

Maria Barracas said...

Em parte é verdade...Gostamos sempre de novidades, e a escolha de modificar o lugar da orquestra também parece estranha e talvez também isto ou aquilo e tudo o mais que possamos ver. Mas existem coisas ali que possibilitam-nos acreditar que ainda podemos fazer escolhas, e artisticamente utilizar um teatro como uma segunda pele e vesti-lo das avessas se quisermos.