Sunday, June 25, 2006

LLULL, cont.


Nas BODAS QUÍMICAS (estudadas no seu simbolismo alquímico e místico por Rudolf Steiner e por Bernard Gorceix ), lemos no "quinto dia" a chegada à sala onde se encontra o tesouro do Rei,espalhado em torno do sepulcro de Vénus.Passo adiante a descrição do que vai acontecendo ao herói, para transcrever o cântico ao amor que funciona como "chave" dos mistérios que se seguem uns aos outros.

I

Não há melhor sobre a terra
Do que o belo e nobre amor;
Por ele igualamos Deus,
Por ele ninguém persegue ninguém.
Deixai-nos cantar o Rei,
E que todo o mar ecoe,
Nós faremos as perguntas, vós dareis as respostas.

II

Quem nos transmitiu a vida?
O amor.
Quem nos concedeu a graça ?
O amor.
De quem fomos nascidos ?
Do amor.
Sem quem estaremos perdidos ?
Sem amor.

III

E quem foi que nos gerou ?
O amor.
Com que nos alimentaram ?
Com amor.
O que devemos aos pais ?
O amor.
Por que são tão pacientes ?
Por amor.

IV

Quem é vencedor ?
O amor.
Pode encontrar-se o amor ?
Pelo amor.
Quem pode ainda unir os dois ?
O amor.

V

Cantai todos,
Fazei ecoar o canto
Para glorificar o amor;
Que cresça
nos nossos Senhores, o Rei e a Rainha,
Cujas almas foram separadas de seus corpos.


As estrofes VI e VII aludem já ao processo alquímico de Conjunção do dois em um, os corpos do Rei e da Rainha, o que permitirá que todo o sofrimento seja " transmutado " para sempre numa grande "alegria".

Podíamos considerar uma série de fontes de inspiração, desde o Cântico dos Cânticos, passando pelo Nascer da Aurora ( Aurora Consurgens, atribuído a S.Tomás de Aquino) mas de que fará parte com certeza o LIVRO DO AMIGO E DO AMADO de Raimundo Lulio.
Aliás julgo que haveria um estudo a fazer de Bernardim Ribeiro e de Camões neste sentido, para além da influencia da Kabala judaica que Lulio certamente conheceu. Árabes e judeus conviviam naquela Idade-Média de que autores como IBN UMAIL /SENIOR que já citei dão o melhor testemunho.

1 comment:

Rosa said...
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