
Entre os grandes pensadores do esoterismo que Meyrink não só leu como conheceu, encontram-se G.R.S.Mead e Rudolf Steiner.
Com Mead correspondeu-se durante anos.Estes autores encontram-se também na biblioteca de Pessoa, o que mostra como era universal a cultura e a busca do nosso poeta e como o esoterismo era a "moda" para não dizer a tónica principal dos meios artísticos mais relevantes.Se algumas doutrinas descambaram em utopias milenaristas reprováveis, outras pugnaram por um discreto caminhar, de distanciamento das correntes visíveis e de entrega a caminhos pessoais, críticos, lúcidos ainda que em permanente interrogação. Também nisto Pessoa e Meyrink se encontram, sem saber.
Dos ocultistas que Meyrink apreciou salienta-se ainda BÔ YIN RÂ, embora mais uma vez, no fim dos seus anos, o nosso autor o tenha declarado má influência na medida em que muito do que verificou ser a sua doutrina não passasse de ilusão, de discurso vago e de tão vago sem substância e sem sentido.
Formalmente Meyrink não reconhece o que os seus romances contêm: cada um, um modelo de iniciação.É certo que este motivo, da iniciação, é sempre o mesmo. Mas o conteúdo que transparece no percurso do herói, sempre um inciando,varia conforme as doutrinas expostas:
Em Das gruene Gesicht ( O Rosto Verde) a doutrina é a do Yoga;em Der Golem ( O Golem, que dará nome e inspiraçao a um dos grandes filmes do Expressionismo) a doutrina é a da mística da Kabala; em Der weisse Dominikaner ( O Dominicano Branco) a doutrina é a do Tao mágico chinês com elementos da mística cristã; em Der Engel vom westlichen Fenster ( O Anjo da Janela do Ocidente ) a doutrina é a da transmutação alquímica.
Podemos apreciar mais ou menos, no estilo da Meyrink, a "marca" de época: alguma elaborada sofisticação que um leitor de hoje não apreciará. Mas há que chamar a atenção para a qualidade da prosa, sobretudo na descrição dos espaços: as suas cidades, seja Praga ( a Praga de Kafka) seja Amsterdão,ou outra tornam-se vivas e visíveis aos nossos olhos, a descrição é
cinematográfica, apelativa, envolvente.
Pondo de parte algum preciosismo, e last but not least, o facto de as figuras femininas servirem apenas para modelos sacrificiais que permitam ao herói uma "Conjunção" no além, um Casamento Químico, evitando no tempo e no espaço terreais a "contaminação" do impulso físico, não poderemos esquecer a lição que em cada romance é apresentada, e levaria um leitor mais atento a estudar ele próprio os complexos assuntos que o autor aborda.
Meyrink não facilita a vida ao seu leitor, dizia ao tempo alguma crítica.
É certo, mas os leitores devem merecer o que lêem...
BÔ YIN RÂ , voltando a ele e ao esfriamento de relações que se foi dando, foi capaz ainda assim de escrever em 1933, um ano após a morte de Meyrink: que tudo o que este escrevia resultava de "experiência própria" afastando a ideia de que só literariamente a escrita do seu ex-amigo e seguidor devia ser entendida.
A cadeia dos "Vivos" era longa e de longo magistério: tinham vencido vida e morte os seguintes: HU-TSU; ELIAS; HENOCH; MANI; APOLLONIUS; JOÃO EVANGELISTA; CHAITANYA; NOSTRADAMUS; CHRISTIAN ROSENKREUTZ; NICOLAS FLAMEL; etc.
Pela lápide no cemitério onde Meyrink foi enterrado supõe-se que o tenham considerado um deles.