Tuesday, July 31, 2012

O Ovo Primordial

Em vez de tentar esquecer vou relembrar aqui esta imagem de um sonho que tive há uns dias: estamos em meados de Julho de 2012.Hora de almoço, todos à mesa, a minha mãe (a sua Sombra) também está connosco.A refeição é de ovos, e de repente a minha mãe parte um ovo e deita para o meu copo de água uma gema que fica lá dentro a boiar, amarela, inteira.
Acordo.
Sei, ou julgo saber, que esta imagem de uma gema de ovo se prende com o próprio simbolismo do ovo: um nascimento, um princípio. O imaginário alquímico está repleto destas imagens, das mais antigas às mais recentes.
Contudo falta-me alguma coisa nesta explicação. E procuro, tenho procurado, ao longo destes dias. Nâo paro de pensar.
Irei talvez reler Jung, era o meu Mestre, outrora.
Há muito que não o leio.Se soubesse desenhava: a gema de um ovo fresco, inteira, amarela, boianso no copo de água.
Mas julgo que são importantes outros factores do sonho: o estarmos em família à mesa; a minha mãe (que já morreu há anos) aparecer ali sentada connosco; e o ser ela a despejar o ovo para o meu copo.
Que associação fazer: morte e vida?
Um renascimento espiritual? (seria o meu, que estou com uma depressão que não passa e não confesso?).
Num sonho a imgem simbólica é fulcral: diz qualquer coisa, avisa, alerta ou confirma.
E neste caso o que será?


2 comments:

Supermassive Black-Hole said...

Que belo texto Yvette. Fez-me pensar naqueles poemas de 'Canções do Rio Profundo', onde existem os símbolos da casa da infância e da mãe. São realmente exemplos de um imaginário único na poesia deste país.

Yvette Centeno said...

João, diz-me se recebeste um e-mail que acabei de enviar? foi por outro processo e não percebo o que aconteceu: sumiu no éter!!!!
abraço, Y.