Saturday, January 10, 2009

Georg von Welling


Pela primeira vez acessível a um público alargado, em tradução inglesa, esta obra que foi a fonte principal dos conhecimentos ocultistas de Goethe.
Aqui se inspirou para muitos dos assuntos que o interessaram ao longo da vida, e o ajudaram a caracterizar os seu heróis, como foi o caso de Fausto, e do seu discípulo Wagner, na primeira e na segunda partes da tragédia ( não esqueçamos que é este Wagner, de início algo simplório, quem acaba por conseguir fazer, no laboratório, o Homunculus, o ser híbrido, andrógino, que o conduzirá ao Belo eterno, na segunda noite de Walpurgis, como uma espécie de antecipação do Fausto redimido por Margarida, já no fim): o Homunculus aspirando a ser ( ser vivo, material) a alma de Fausto aspirando à sublimação espiritual etérea. 
A obra de von Welling contém um pouco de toda a sabedoria que se buscava ao tempo de Goethe e do seu século, nestas matérias mais filosóficas do que científicas, pretendendo abarcar todas as esferas do conhecimento, do mundo mineral ao vegetal, animal e humano.
Nascido na Baviera em 1655, veio a falecer em Franckfurt em 1725. A sua obra está igualmente na origem das doutrinas da Golden Dawn, a Aurora Dourada, de que fez parte, entre outros, o célebre mago Crowley.
A Opus Mago-Cabbalisticum está dividida em três partes, cada uma dedicada a um dos três princípios: o Sal, àcerca da criação, com uma doutrina sobre Adão e Eva e a origem da vida; o Enxofre, matéria do universo como a vemos ainda hoje; e por fim o Mercúrio, como via do profetismo, do porvir, incluindo o Apocalipse.
Para este autor a alquimia era um modo de conhecimento, sobretudo do mundo material, na sua relação com o resto do universo.
O alquimista contempla e interroga, pretende conhecer mais do que dominar o mundo à sua volta. Deste ponto de vista difere do herói goetheano.

4 comments:

Margarida said...

Querida Yvette,

esta obra parece ser daquelas aquisições 'ímperdíveis':)

Conheço algo sobre Crowley, uma personalidade estranha, um mago envolto de obscuridade mas sem dúvida, um conhecedor e estudioso do ocultismo.

Goethe, ainda é para mim um mistério. Wagner, é Wagner :-)

Obrigada pela partilha!
Com amizade,
M.

Átila Siqueira. said...

Como sempre, achei muito interessante a postagem, sobretudo, por esse livro ter sido influência de Goethe. Mas eu queria perguntar se há alguma versão em português dessa obra, e se você poderia me indicar depois algumas obras de alquimia em português, sobretudo, obras introdutórias no assunto.

Um grande abraço,
Átila Siqueira.

Yvette Centeno said...

Não há, e mesmo esta edição só em 2006 apareceu. Começa-se agora a dar importância aos antigos autores de alquimia, mas são de língua inglesa ou francesa as traduções.
Eu tenho um livro de ensaios, editado pela ed. Presença em 1987:
LITERATURA E ALQUIMIA em que tento dar ideia do que a alquimia seja. Não sei se ainda existe à venda.

Átila Siqueira. said...

Obrigado pela dica do livro, vou procurar saber mais.

Um grande abraço,
Átila Siqueira.